Tendências de Venda para 2026: Quando a Intenção de Compra Atinge o Recorde

Por Rafaella Clemenc Del Persio

A intenção de compra atinge 52% em 2026—maior patamar histórico. Descubra como Geração Z, juros altos e demanda reprimida redefinem o mercado imobiliário brasileiro em 2026.

O Mercado Aquecido: Quando Números Falam Mais Alto

O mercado imobiliário brasileiro escreve um capítulo peculiar em 2026. Enquanto a maioria dos setores enfrenta pressão, os compradores de imóveis voltam a sinalizar apetite. Dados de meados de 2026 revelam que a intenção de compra aumenta 2026 chegou a 52% no segundo trimestre—o maior percentual jamais registrado em toda a série histórica. Uma pesquisa realizada pela Registro de Imóveis em parceria com a Brain ouviu 1.200 pessoas em junho e confirmou o dado. No primeiro trimestre, já estava em 49%, cinco pontos percentuais acima do mesmo período de 2025. O patamar se mantém elevado desde junho de 2024, sinalizando não apenas um pico passageiro, mas uma demanda sustentada.

Isso não significa que todos comprarão. Significa, porém, que metade do Brasil pensa nisso—e pensa com seriedade. A intenção de compra aumenta 2026 reflete uma anomalia em tempos de Selic elevada. A taxa, projetada para 13,96% ao ano conforme revisão do governo em julho, deveria arrefecer o ímpeto. E, parcialmente, arrefece. Mas não o suficiente para conter uma demanda que parece ter encontrado outras razões para avançar—ganho de renda, reorganização familiar, busca por patrimônio.

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A Geração Z Como Vetor Principal

Quando se abre o zoom demográfico, a explicação fica mais clara. A Geração Z aparece como protagonista inesperado neste cenário. Em levantamentos de 2026, essa faixa etária registrou intenção de compra entre 56% e 59%—bem acima de gerações anteriores em alguns recortes. Jovens que entraram no mercado de trabalho entre 2020 e 2023, com a pandemia redefinindo prioridades e ciclos de vida, agora buscam ativos que combinem renda organizada com estabilidade patrimonial.

Essa migração de apetite para os mais novos não é mera coincidência. A Geração Z cresceu em ambiente de inflação controlada, trabalho híbrido e, muitas vezes, renda complementar via economia digital. Quando chega aos 25-30 anos, o imóvel deixa de ser meta distante e se torna decisão próxima. E 2026 é o ano em que essa coorte tem massa crítica de compradores simultâneos.

A leitura de mercado aponta ainda para faixas de renda média—aquelas entre R$ 4 mil e R$ 10 mil de renda familiar. Esses consumidores, porém, enfrentam uma bifurcação: imóveis novos em lançamento ficam menos acessíveis, enquanto estoque usado ganha tração. Segundo reportagem de agosto de 2026, a classe média começou a migrar para o mercado de imóveis usados, não por preferência, mas por falta de opções viáveis em lançamentos.

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Demanda Reprimida e Reorganização Pós-Pandemia

O fenômeno da demanda reprimida é mais que números; é comportamento humano acumulado. Desde 2020, famílias adiaram decisões que, historicamente, marcam transições de vida: casamento, segundo filho, mudança de bairro, busca por imóvel maior ou em melhor localização. Esses adiamentos criaram um estoque invisível de potenciais compradores que, em 2026, sentiram-se seguros o bastante para agir.

A reorganização familiar pós-pandemia amplificou esse efeito. Casais que trabalhavam totalmente presencialmente em 2019 adotaram modelo híbrido após 2020. Isso permitiu que buscassem imóveis mais longe dos centros corporativos, em cidades dormitório com melhor custo-benefício e mais espaço. Famílias que conviviam em apartamentos compactos durante lockdowns agora priorizavam casas com mais metragem. Essas mudanças de preferência, quando multiplicadas por milhões de brasileiros, reescrevem o mapa de demanda imobiliária.

A Selic elevada, portanto, não bloqueia essa demanda porque ela não nasce de oportunidade especulativa ou ganho financeiro. Nasce de necessidade real de habitação e segurança patrimonial. O comprador de 2026 que financia a Selic 13,96% não está apostando em valorização; está apostando em estabilidade de moradia.

Rua residencial brasileira com placa de venda e mercado imobiliário aquecido em 2026

Por Que Juros Altos Não Freiam Completamente

A questão que analistas repetem é: como a intenção de compra aumenta 2026 com Selic em dois dígitos? A resposta reside em dois fenômenos simultâneos: demanda reprimida e urgência de proteção patrimonial.

Desde 2020, muitas famílias adiaram decisão de compra. Esperaram queda de juros que não veio de forma robusta. Esperaram estabilidade macro que chegou apenas parcialmente. Agora, em 2026, parte significativa dessa população acumula capacidade de entrada e disposição de contratar financiamento mesmo a taxa elevada. A contratação é mais seletiva—exigem mais cuidado com cálculos de amortização, com margem e com prazos—, mas ocorre.

O segundo fator é o prêmio de patrimônio. Em ambiente inflacionário, imóvel deixa de ser consumo e se torna hedge. Essa mentalidade, que marcou 2023-2024, persiste em 2026. O comprador vira-se para si mesmo e pensa: "Vou pagar aluguel para sempre, ou devo começar a pagar hipoteca agora?" Com inflação em torno de 4% e Selic em 13,96%, a equação muda. O imóvel passa a ser visto como proteção contra erosão de renda.

A disposição de pagar mais juros também reflete ganho de confiança. Segundo análise do Valor Econômico, a estabilização do mercado de trabalho a partir de 2023—com redução do desemprego para patamares próximos a 8%—conferiu segurança a famílias que antes hesitavam em comprometer renda com parcelas de financiamento. Quem tem emprego estável há 24 meses, mesmo que remoto, sente-se mais seguro para contratar crédito longo prazo.

Imóveis Usados Ganham Espaço

Uma das tendências mais claras de 2026 é a redistribuição de demanda entre novos e usados. Enquanto lançamentos imobiliários continuam em ritmo normal—algumas praças até desaceleram—, o mercado secundário aquece. Imóveis prontos, com documentação completa, permitem compra mais rápida e com menor risco de diluição de valor por espera em obra.

Essa migração não afeta apenas volumes; redefine margens e velocidade de venda. Corretores de imóvel usados reportam ciclos de negociação mais curtos e compradores menos sensíveis a pequenas concessões de preço, desde que liquidez e localização estejam garantidas. Para o vendedor que almeja 2026, a implicação é clara: estar pronto, estar bem localizado e estar disposto a negociar depressa.

O estoque de imóvel usado também oferece previsibilidade que lançamentos não garantem. Um comprador que contrata financiamento em Selic elevada precisa saber exatamente o que está pagando—metragem real, pé-direito definido, acabamentos visíveis. Obra em andamento traz risco de aditivos, atrasos e ajustes de preço. Imóvel pronto elimina essa incerteza. Para mercado comprador tenso e seletivo como o de 2026, essa característica é ouro.

Dados do segundo trimestre de 2026 apontam que a migração para o estoque usado não é uniforme. Ela concentra-se em faixas de renda média e em praças onde lançamentos novo carregam preço por metro quadrado elevado em relação à renda local. Em grandes capitais como São Paulo e Rio, a proporção de usados em relação aos novos comercializados cresceu 8-12 pontos percentuais comparado ao mesmo trimestre de 2025.

Seletividade Como Lei

A Selic elevada, mesmo que não bloqueie compra, introduz seletividade radical. O comprador de 2026 não está disposto a lidar com imóvel com pendências legais, reforma incerta ou localização mediana. A sensibilidade ao custo financeiro cresce junto à taxa média. Uma diferença de 0,5% ao ano em taxa contratada significa diferença de três ou quatro dígitos na parcela mensal.

Isso favorece ativos com documentação pronta, melhor padrão construtivo e inserção em regiões consolidadas. Imóvel banal, caro para o que oferece, vira troço. Imóvel bem posicionado, com diferenciais claros, virou mercadoria disputada.

A seletividade também se manifesta em preferências de localização. Bairros com boa malha de transporte público, proximidade a escolas e centros comerciais saem na frente. Periferias puras enfrentam demanda reduzida, mesmo que o preço seja atrativo. Esse comportamento reflete visão de longo prazo: o comprador de 2026 que financia imóvel em 30 anos está precificando não apenas valor presente, mas liquidez futura. Localização consolidada é sinônimo de liquidez.

Documentação imobiliária e intenção de compra em processo de negociação para 2026

Comparativo: Novos versus Usados em 2026

Atributo Imóvel Novo Imóvel Usado
Tempo de Negociação 60-120 dias 20-45 dias
Documentação Risco de pendências em cartório Geralmente completa
Custo por m² 15-25% acima do usado Linha de base
Garantias Construtivas Aval de incorporadora Responsabilidade do vendedor
Demanda em 2026 Moderada, seletiva Forte, competitiva
Apelo a Gen Z Alto (flexibilidade de projeto) Moderado (falta de novidade)

Renda, Financiamento e a Realidade do Crédito em 2026

A projétil oficial do governo para Selic média em 2026 de 13,96% não é número isolado; é porta de entrada para compreender a acessibilidade do crédito imobiliário. Banco que financia imóvel a Selic + spread de 3% a 4% trabalha com taxa efetiva de 17% a 17,96% ao ano. Para mutuário que opta por amortização SAC em 30 anos, primeira parcela de R$ 300 mil em financiamento representa ~R$ 1.900 por mês. Renda necessária para conforto (parcela = 30% da renda bruta) é R$ 6.300 mensais.

Essa faixa de renda corresponde exatamente àquela que pesquisas apontam como mais atenta a compra em 2026: profissionais que chegaram a R$ 5 mil a R$ 10 mil mensais entre 2023 e 2025, muitos em transição de primeiro emprego CLT para cargo de coordenação ou especialista. Esses consumidores têm estabilidade incipiente—risco moderado para banco—e urgência de patrimônio—motivação forte para comprar.

Instituições financeiras, por sua vez, mantêm critérios rigorosos. Não é suficiente ter renda; é preciso comprovar histórico de crédito limpo por 24 meses, entrada mínima de 20-30% e LTV (relação valor do financiamento sobre valor do imóvel) abaixo de 80%. Esses critérios, rígidos quando julgados pela lente de 2010-2015, tornaram-se padrão seguro em 2026.

Perfil Etário Ampliado: Além de Gen Z

Enquanto Geração Z lidera em percentual (56-59%), a análise de volumes absolutos revela outras faixas crescendo. Millennials entre 35 e 45 anos—aqueles que adiaram compra na década anterior por falta de entrada ou incerteza de emprego—agora contratam financiamentos em montante significativo. Essa coorte, que chegou a 2026 com estabilidade consolidada e, eventualmente, herança de pais falecidos, dispõe de capital para entrada robusta e tolerância maior a juros elevados.

Casais divorciados ou que deixaram singlehood também marcam presença. Renda dual de casal jovem com ambos em carreiras estabelecidas cria poder de compra que não existia cinco anos atrás. Para esses perfis, 2026 é janela de ouro.

Principais Conclusões


Perguntas Frequentes

Vale a pena comprar um imóvel em 2026?

Sim, se o objetivo é uso próprio ou preservação de patrimônio. A intenção de compra aumenta 2026 com força inédita—52% no segundo trimestre—sinalizando mercado saudável e demanda sustentada. O ponto de atenção é a Selic, que segue em patamar elevado (13,96% em média anual), aumentando custo da dívida. Para quem tem entrada consistente e renda suficiente para suportar parcela em dois dígitos percentuais, a compra vale como hedge inflacionário e construção patrimonial. Imóvel bem localizado em 2026 sai de catálogo em dias.

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Devo comprar um imóvel agora ou esperar para 2026?

Se já estamos em 2026, a resposta é mais direta: o mercado mostra demanda forte neste exato momento. O que importa é a qualidade do imóvel e sua localização, não o timing macroeconômico. Para quem depende de financiamento, o freio principal é custo do crédito—taxa média esperada entre 17% e 18% ao ano—, não a oferta. A decisão deve privilegiar imóvel bem localizado com documentação pronta, pois isso acelera negociação e reduz risco de arrependimento. Esperar por queda de juros é aposta de risco; a história mostra que quedas raramente anulam ganho de paciência.

Qual a tendência da taxa de juros para 2026?

Projeções do Boletim Focus oscilaram entre 13,5% e 14,0% ao longo de 2026. A mediana em agosto apontava para 13,75%, enquanto o governo passou a trabalhar com projeção de 13,96% de Selic média para o ano. Cenários de queda robusta ficam improváveis; a expectativa é estabilização em patamar elevado, com risco de pequenas altas se inflação de serviços não ceder. Quem planeja financiar deve precificar Selic entre 13,5% e 14%, o que significa parcela 17-18% ao ano dependendo do spread bancário.

Quais são as tendências de venda para 2026?

Cinco tendências principais: (1) intenção de compra aumenta 2026 para 52%, recorde histórico; (2) Geração Z lidera, com 56-59% de intenção de compra; (3) classe média migra para imóvel usado por falta de lançamentos acessíveis; (4) seletividade do comprador cresce com juros altos, favorecendo imóveis de qualidade e pronta entrega; (5) ciclos de negociação encurtam quando documentação está pronta e localização é consolidada. Imóvel usado em localização top sai mais rápido que novo em periferia.

Como a demanda reprimida desde a pandemia afeta o mercado agora?

Adiamentos acumulados de decisões de moradia desde 2020—casamentos adiados, mudanças de bairro, upgrade para casa maior—criaram estoque invisível de potenciais compradores. Em 2026, com emprego estável e renda consolidada, essa população finalmente age. Adicione reorganização pós-pandemia (trabalho híbrido permitindo mudança para cidades menores) e reorganização familiar (divórcios, filhos novos, morte de ascendentes), e o volume de demanda em 2026 torna-se compreensível mesmo com juros altos.

Por que imóvel usado sai na frente em 2026?

Porque oferece três vantagens que lançamento não cumpre em mesmo nível: (1) documentação completa e processo mais rápido; (2) risco zero de aditivo de preço ou atraso de obra; (3) preço por metro quadrado compatível com renda local. Para comprador financiado a taxa elevada, essas vantagens superam o apelo de "novo" e "financiamento imobiliário zero juros nos primeiros 24 meses" que algumas incorporadoras ainda oferecem.


A Bola Segue em Jogo

Para o profissional imobiliário que acompanha 2026, a mensagem é paradoxal: juros não explodem oferta, mas demanda persiste. A intenção de compra aumenta 2026 não porque juros caíram—não caíram—, mas porque expectativas se recalibraram. Famílias que adiaram desde 2022 agora sentem urgência. Jovens que entraram no mercado de trabalho já têm renda para sonhar. Donos de imóvel usado que queriam trocar finalmente estão dispostos a liquidar.

O mercado não será bonança igual 2020-2021. Será, porém, consistente. Imóvel com localização sólida, padrão construtivo claro e documentação impecável encontrará comprador em 2026. E encontrará rápido.

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